06/08/2020

Saudade de  tudo

31 de julho de 2020

Pablo Neruda, importante escritor e político chileno e um dos maiores poetas da literatura latino-americana, diz que saudade é amar um passado que ainda não passou. É verdade.

Sou como o poeta desconhecido, que sente saudades de tudo que marcou a sua vida.

Quando vejo retratos, quando sinto cheiros, quando escuto uma voz, quando me lembro do passado, sinto saudades…

Sinto saudades de amigos que nunca mais vi, de pessoas com quem não mais falei ou cruzei…

Sinto saudades da minha infância,

do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro, do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser…

Sinto saudades do presente,

que não aproveitei de todo,

lembrando do passado

e apostando no futuro…

Sinto saudades do futuro,

que se idealizado,

provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser…

Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!

De quem disse que viria

e nem apareceu;

de quem apareceu correndo,

sem me conhecer direito,

de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.

Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito!

 

Sinto saudades daqueles que não tiveram como me dizer adeus; de gente que passou na calçada contrária da minha vida e que só enxerguei de vislumbre.

Sinto saudades de coisas que tive

e de outras que não tive mas quis muito ter.

Sinto saudades de coisas que nem sei direito se existiram.

Sinto saudades de coisas sérias,

de coisas hilariantes,

de casos, de experiências…

Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer.

Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar.

Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,

Sinto saudades das coisas que vivi

e das que deixei passar.

Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que…

não sei onde…

para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi…

Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades em japonês, em russo, em italiano, em inglês…

mas minha saudade,

por eu ter nascido no Brasil,

só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.

Aliás, dizem que costumamos usar sempre a língua pátria, espontaneamente quando

estamos desesperados…

para contar dinheiro … fazer amor…

declarar sentimentos fortes…

seja lá em que lugar do mundo estejamos.

Talvez não exprima corretamente

a imensa falta que sentimos de coisas

ou pessoas queridas.

E é por isso que tenho mais saudades…

Porque encontrei uma palavra

para usar todas as vezes

em que sinto este aperto no peito,

meio nostálgico, meio gostoso,

mas que funciona melhor

do que um sinal vital

quando se quer falar de vida

e de sentimentos.

Ela é a prova inequívoca

de que somos sensíveis.

De que amamos muito

o que tivemos

e lamentamos as coisas boas

que perdemos ao longo da nossa existência…

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