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Segunda, 12 de novembro de 2018
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Ficou difícil
Palmeiras perde para Boca e se complica na Libertadores
Mesmo sem jogar mal, o time do Palmeiras não suportou a pressão da torcida do Boca Junior e pegou dois gols no segundo tempo de jogo, o que poderá tirá-lo da disputa da final por ter que vencer por três a zero
Com informações da Folhapress. - 25/10/2018 17:46

Na disputa de bola, o Boca levou a melhor e fez o primeiro gol

Houve um tempo em que Darío Benedetto foi visto como a salvação da camisa 9 da seleção argentina. Quando foi chamado nas eliminatórias para o Mundial da Rússia, no ano passado, não fez gol e virou motivo de escárnio. Lesionou o joelho e se afastou. Ainda sem recuperar a posição de titular no Boca Juniors, ele deixou seu time com vantagem na semifinal da Copa Libertadores.

Foi o centroavante a decidir a primeira partida semifinal da Libertadores contra o Palmeiras, nesta quarta (24), em La Bombonera. Saiu do banco a 17 minutos do fim e marcou os gols da vitória do Boca por 2 a 0.

Na partida de volta, na próxima quarta (31), o Palmeiras terá de vencer por três gols de diferença para ir à final. Se ganhar por dois -desde que não seja vazado-, a decisão será nos pênaltis.

"Olê, olê, olê, olá, Pipa, Pipa", explodiu a torcida que lotou La Bombonera, empolgação que fez as arquibancadas superiores balançarem com os pulos de milhares de pessoas.

A entrada de Benedetto e seus gols arruinaram o que era uma grande atuação de Felipe Melo. Quase todas as vezes que os torcedores da casa ameaçaram se inflamar e empurrar o time para o ataque, o volante interceptou um passe ou fez um desarme para acalmar os ânimos. Postado à frente da defesa, foi um mar de calma em confronto que tinha tudo para ser nervoso.

Foi a primeira vez que um jogo entre as duas equipes em mata-matas de Libertadores teve vencedor. Nas quatro anteriores, as finais de 2000 e semifinais do ano seguinte, houve empates. Os argentinos avançaram nos pênaltis em ambas.

Nesta temporada, o Palmeiras já ganhou o Boca por dois gols. Mas foi em La Bombonera, pela fase de grupos. Em São Paulo, houve empate em 1 a 1.

O primeiro tempo foi uma fotocópia do que havia acontecido 24 horas antes entre River Plate e Grêmio, porém com mais velocidade. Crédito para o árbitro chileno Roberto Tobar, que não paralisava a partida a qualquer simulação de falta dos jogadores.

A proposta do Palmeiras era parecida com a do Grêmio. Duas linhas de quatro (às vezes cinco em uma delas) para encaixotar os rivais mais perigosos quando estes tivessem a bola. Aconteceu com o atacante Pavón. Quando recebia o passe, estava marcado por dois ou três adversários.

O time brasileiro não saiu para o jogo porque não tinha motivo para isso. Luiz Felipe Scolari nunca foi um purista do futebol, um Guardiola dos Pampas, para atacar em qualquer circunstância. Não que lhe tenha feito falta porque é multicampeão igual ao espanhol. O Palmeiras foi a Buenos Aires com a partida de volta, no Allianz Parque, na cabeça.

 

A diferença dos paulistas para os gaúchos (que derrotaram o River) era a maior capacidade para sair tocando a bola e ameaçar. Mesmo que não tenha aproveitado este potencial, estava lá. Scolari mudou também a dupla de zaga. Antonio Carlos e Dracena eram usados na Libertadores. Contra o Boca, jogaram Luan e Gustavo Gómez, preferidos até então para o Campeonato Brasileiro. Com os escolhidos desta quarta, o Palmeiras nunca havia perdido até o jogo em La Bombonera

O Boca Juniors entrou com um centroavante trombador, Ramon Ábila, ex-Cruzeiro, para ter maior presença de área. A dificuldade era fazer a bola chegar até ele. Com Barrios, Pérez e Nández, o meio-campo não tinha nenhum armador. Nem seria preciso citar Juan Román Riquelme, campeão da Libertadores pelo clube em 2000, 2001 e 2007. Seria injusta a comparação porque se o Boca não tem um armador como ele, ninguém no futebol mundial tem.

Poderia ser o colombiano Edwin Cardona. Mas o técnico Guilermo Barros Schelotto não o relacionou nem para o banco de reservas. Ábila tinha grande dificuldade para controlar a bola. Desde Santiago Silva na final de 2012 contra o Corinthians, o Boca Juniors não tem um atacante tão limitado em partida decisiva de Libertadores.

Quando ele saiu, o jogo mudou porque entrou Benedetto, alguém que não tinha a capacidade de brigar contra os zagueiros, mas que estava com o potencial de desviar um escanteio e criar do nada um gol com chute de fora da área.

Assim que o primeiro gol aconteceu, aos 38 do segundo tempo, ficou claro que o Palmeiras não estava preparado para reagir. Benedetto desmontou o esquema de Scolari, como algumas vezes acontece no futebol. A única chance real criada pelos brasileiros foi um arremate de Dudu de fora da área. Pouco.

Foi um gosto especial para a torcida argentina, que esperou a saída de Gustavo Gómez de campo para vaiá-lo e xingá-lo. Antes de assinar com o Palmeiras, o paraguaio recuou em acordo com o Boca Juniors que parecia certo.

Dez minutos após o apito final, o público continuava em La Bombonera para lembrar aos jogadores que o sonho de voltar a levantar a Copa Libertadores estava vivo e, claro, que o rebaixamento do River Plate em 2001 é uma "mancha que jamais se apagará".

BOCA JUNIORS

Rossi; Jara, Izquierdoz, Magallan, Olaza; Barrios, Nandez, Perez; Pavon, Zarate (Villa), Ábila (Benedetto). T.: Guillermo Schelotto

PALMEIRASWeverton; Mayke, Luan, Gustavo Gómez, Diogo Barbosa; Felipe Melo, Bruno Henrique (Thiago Santos), Moisés (Lucas Lima); Dudu, Willian, Borja (Deyverson). T.: Luiz Felipe ScolariEstádio: La Bombonera, em Buenos Aires (ARG)Juiz: Roberto Tobar (CHI)Cartões amarelos: Olaza, Zárate e Villa (Boca Juniors); Gómez e Bruno Henrique (Palmeiras)Gols: Benedetto, aos 38min e aos 43min do segundo tempo

Com informações da Folhapress.

 







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